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Quando falamos em dependência química, nos deparamos com um fenômeno, primeiro que por ter uma característica comum de diluir os valores do individuo, tema que trataremos a frente, enganosamente é tratada como um dilema moral não só pela sociedade, como também pelo próprio usuário. Criando assim um tabu em torno do problema, o que o torna muito mais difícil de ser tratado, uma vez que nem se quer é falado.

E por conta disso, casos que seriam extremamente absurdos em outras áreas que naturalmente precisariam do mínimo de cuidado, por aqui são até comuns. Trato que distância as possibilidades de tratamento de uma doença que se revela familiar posteriormente. Quando digo do engano de ser tratado como dilema moral, refiro-me ao sentimento de culpa, vergonha do constrangimento que supostamente viriam à tona ao falar do assunto, induzindo tanto os familiares quanto o próprio usuário, se esconderem a qualquer custo, qualquer indicação.

Recentemente a organização mundial da saúde, aprova uma resolução aonde classifica a dependência química como uma patologia, o que foi um grande avanço. Segundo a OMS, poderá ser diagnosticado no CID-10 F19, o individuo que apresentar três desses sintomas, nos últimos 12 meses.

– Forte desejo ou compulsão de consumir drogas;
– Dificuldades em controlar o uso, seja em termos de início, término ou nível de consumo;
– Uso de substâncias psicoativas para atenuar sintomas de abstinência, com plenaconsciência dessa prática;
– Estado fisiológico de abstinência;
– Evidência de tolerância, quando o indivíduo necessita de doses maiores de substância para alcançar os efeitos obtidos anteriormente com doses menores;
– Estreitamento do
repertório pessoal de consumo, quando o indivíduo passa, por exemplo, a consumir drogas em ambientes inadequados, a qualquer hora sem nenhum motivo especial;
– Falta de interesse progressivo de outros prazeres e interesses em favor do uso de drogas;
 Insistência no uso da substância, apesar de manifestações danosas comprovadamente decorrentes desse uso;
– Evidência de que o retorno ao uso da substância, após um período
 de abstinência, leva a uma rápida reinstalação do padrão de consumo anterior.

Por outro lado, além de estarmos diante de uma doença complicadíssima da se dar um diagnóstico, também não existem exames e nem remédios. Depois pelo o que me parece, quando encontrado ou identificado tais sintomas, já estamos em um estagio bem avançado na progressão da doença que já de uma ordem crônica. Ou seja, crônica: não existe cura, evolutiva: progredi ao passar do tempo, de fins trágicos e muitas vezes fatais e que só há enxergamos através dos seus resultados extremamente danosos.

Porem quando falamos de tratamento, ou em até uma “simples” compreensão, precisamos entender a trajetória de cada individuo, porque mesmo tendo como resultado varias semelhanças, cada individuo é único por assim dizer, no sentido de entendermos que cada ser, mesmo diante dos mesmos dilemas, são dotado de suas próprias particularidades e dificuldades empíricas. Desse modo, é até possível detalhar vivências comuns na progressão da dependência química, mas nunca conseguiremos entender e /ou mensurar as impressões, dilemas, complexos, confusões, carências, culpas, medos,traumas e uma infinidade de particularidades que mantiveram, causaram e ou contribuíram para resultado nesse caminho.

E é sobre essa individualidade que trata os estudos da Astrologia, mas para manter uma linha construtiva de raciocínio, seguirei por aqui tentando genericamente traçar um caminho individual na progressão de sua dependência, e sobre a astrologia trataremos mais a frente.

Imaginemos que a criança tem uma passagem normal de sua pré para sua adolescência, com todas suas rebeldias e estranhezas justificadas pela complexidade dessa passagem. Munida por uma enorme necessidade de mudar o externo, o que natural dentro de sua visionaria perspectiva carente de vivencia, externo que encontrasse totalmente errado dentro de seus valores, constatação que não somos capazes de negar. Mas nesse período se nota uma enorme contradição sobre o que é “lá fora”, e o que dizem em casa ou em sua origem.

“Sobre o que é “La fora”, me vem há mente a mãe compenetrada explicando ao seu filho:” olha cuidado ao aceitar bala de estranhos, os traficantes colocam drogas nas balas, distribuem essas balas de graça, e quando estiver viciado na droga nunca mais vai consegui sair, tenha muito cuidado meu filho”.

Obviamente, que essa explicação está colocada de modo lúdico, pra elucidar o olhar de uma mãe, ou quem exerceu um papel de cuidado e instrução na transação para liberdade do individuo, que acaba projetando o medo de algo desconhecido a qual só se conhece o resultado. Projeção que diz o tempo todo que droga é uma coisa extremamente ruim, e que todas as pessoas que usam drogas também são ruins. E caprichosamente ao ter seus primeiros contatos com e realidade externa, o individuo percebe um quadro totalmente diferente do que lhe foi pintado.

Percebe que as pessoas estão se divertindo, que existe muita descontração risos de felicidades e sensações extremamente convidativas, aonde o cara da bala o enganador, não existe e ainda que “aqui fora”, é capaz de encontrar pessoas que já estão em um estagio avançando do consumo, que vivem aparentemente muito bem, são amigas prestativas e que ainda dentro de um grande paradoxo aconselham a não usarem a substância, fato que torna o uso muito mais convidativo, com pensamentos do tipo: Há, algumas outras que tiveram fins trágicos talvez fossem fracas, comigo vai ser diferente , e se eu ver que está me fazendo mal eu paro, sei o que estou fazendo. “Demonstrando a tendência ao autoengano, fato que explica a adicção e traz luz aos assuntos de netuno, mas fiquemos aqui, adicção falarei há frente”.

Desse modo, é claro que genericamente, traçamos o inicio do processo do uso de substâncias, ressaltando que pode existir ou não uma progressão desse consumo, varia conforme a disposição de cada individua, mas no geral, falando de dependência química, o que encontramos em comum é a não percepção dessa progressão por parte do mesmo. Mas o principal ponto que quero enfatizar desse ultimo parágrafo é o fato de que o uso de substâncias, além de atrativo, libertador traz sensações de prazeres e contentamentos, talvez não encontrados em uma vida cotidiana.

Vejamos, meu foco no geral é dar ênfase no individuo em quanto ser, dentro de um olhar integrativo quando se fala de um trato, porem torno a

ressaltar de maneira sucinta, que hoje a ciência dispõe de grandes avanços nos estudos das substâncias, suas composições e o caminho fisiológicos na sua atuação psicoativa, e essas são divididas em classificações de suas atuações na alteração do individuo, entre elas as drogas estimulantes que algumas são; cocaína, crack, anfetamina e cafeína, também as depressoras, algumas são; heroína, morfina e o ópio, também as drogas calmantes, algumas são; o álcool, maconha e os benzodiazepínicos, e também as drogas alucinógenas q entre algumas estão o LSD, Esctasy e cogumelos.

O Dependente Químico 

Para a organização mundial da saúde existe uma classificação que auxilia ou pretende auxiliar, profissionais da área a traçar um diagnóstico mais preciso possível do Dependente Químico.

  • Não usuário – nunca fez o uso.
  • Usuário Leve Usou no ultimo mês, menos que uma vez por semana.
  • Usuário moderado– usou na ultima semana, mas não diariamente.
  • Usuário pesado– Usou diariamente no ultimo mês.

  Características ainda vagas, quando tratamos de um ser e sua vivência, imaginem que o próprio individua é incapaz de perceber a velocidade em que se progredi esse consumo, ou melhor, nem se quer, percebe que o seu consumo esta progredindo.

Seu uso inicia de forma recreativa, ou seja, o consumo de substância é bem esporádico, por aqui a droga não é o motivador predominante de suas escolhas, aparece como um complemento, e nessa altura é plenamente capaz de anega-la. Em outras palavras, usa quando quer, passeia, viaja, namora se sente pertencente a um grupo de amigos, que também estão descobrindo um mundo novo e entusiasmaste. Pertencimento que tende a trazer laços emocionais que resultaram em seguranças, seguranças que dentro de uma ótica “saudável”, deveriam serem encontradas dentro, como forma de valores pessoais, fato que terá um peso determinante, no processo de recuperação, mas fiquemos por aqui ainda.

Nessa altura, a única mentira percebida pelo individuo é a de sua família, afinal de contas, seus novos amigos não são pessoas ruins, são pessoas maravilhosas que estão descobrindo um mundo novo cheio de aventuras e bem estar. Dessa ótica, fica cada vez mais atrativo como quem diz……….

Importante ressaltar, que empiricamente a vivência se dá entre escolhas frustrações e aprendizados, e se imaginarmos que o papel da substância em si, seja de apresentar sensações, percepções e até mesmo sentimentos específicos, podemos dizer que com a escolha do uso da substância o individuo ganha o poder de escolher como se sentir independentemente da circunstância a qual esteja vivendo, em outras palavras seus sentimentos, sensação e emoções, dependeriam agora de qual substância ele se sentiria atraído. E se imaginarmos ainda, que essas sensações, emoções e sentimentos fazem parte de um amadurecimento e crescimento pessoal, necessário a qualquer individuo.

Podemos dizer que o uso de substância, cria no mínimo um distanciamento entre o que se vive e o que se real, particularmente acredito que nesse ponto, dependendo das circunstâncias tanto internas quanto externas, se tem um divisor de águas entre se tornar dependente ou se viver a vida, ressaltando ainda, que nem sempre a vida que vivemos é real. E quando falamos de dependentes químicos, geralmente sua família sofre de uma diluição da realidade generalizada, sem nenhuma substância aparente, mas isso também trataremos a frente.

Voltemos ao individuo, outra característica bem peculiar, talvez complementar a o que foi dito no parágrafo acima, é que o organismo cria ao uso da substância um sistema de proteção, já que essa, trás tais benefícios diante de uma vida cruel, injusta, desonesta, sem oportunidades, de familiares contraditórios, desleais, interesseiros e que muitas vezes geram as magoas e cobram como forma de defesa. Quero dizer que nessa altura, concretizando um relacionar seria com a substância, o individuo não associa as suas perdas e negligencias ao seu uso de substância, fazendo uso de uma característica eminente dessa atmosfera, que é o vitimismo, característica clara de quem não pode, ou melhor, escolheu não passar por um amadurecimento.

Em resumo, pretendo elucidar alguns pontos importantes quando se diz em dependência química, como em uma grande trama a progressão do consumo e sua doença, não fica evidente para o individuo no qual é envolvido em questões empíricas e de âmbitos muito maiores. E para o individuo, já aqui na frente, talvez com a dádiva do fundo do poço, terá a oportunidade de perceber que na verdade tomou o ônibus errado, achou que estava indo para lugar certo, que era só uma fase, e depois de bons anos teve a sorte de perceber a duras penas, que sim, esse ônibus que tomou o levou para o lugar errado.

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