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Ao longe ouço miados, em contraste as ratazanas festejam a chegada da madrugada. É Julho e em São Paulo faz frio e ele aumenta com a fina garoa que molha as calçadas.

Estou sozinho, estou sujo, sinto fome e sinto frio. Consigo me proteger na faixada de um banco.

A noite chega cada vez mais escura e a garoa se transforma em chuva, junto com ela minhas lágrimas molham todo o meu corpo. A pequena laje sobre minha cabeça não pode mais me ajudar, estou apenas de bermuda e chinelo, o resto das minhas roupas vendi para consumir a droga que agora me consome.

Olho para os lados não encontro saída, a única coisa que me anima é ver que a garrafa que carrego ainda não está vazia. Dentro dela enxergo um pouco de alívio. Grande ironia.

A chuva aumenta e eu todo molhado me desespero, penso em minha família, meus amigos, meus empregos, penso em tudo que perdi.

Foi uma escolha? No começo talvez sim, mas agora completamente dominado pelo vício, só tenho os ratos como companhia e nem eles, nem os ratos ligam para mim. Quero gritar e pedir ajuda, quero sumir, penso em desistir. A quem posso recorrer?

O desespero aumenta, a garrafa agora está vazia. Penso na morte, tenho medo. Não sei se estou tremendo pela falta do álcool ou pelo frio…

Só me resta esperar, olhando os ratos passarem eu penso em mudar, MAS COMO ??

O vício tem somente como recompensa o arrependimento.

Vou esperar o dia clarear, procurar ajuda em algum lugar ou talvez outra garrafa que faça o vazio da minha alma novamente se encharcar. NÃOOOOOOO, basta…

Lembrei de um amigo que disse de um lugar, é uma clínica onde eu poderia me recuperar. Hoje aqui estou feliz e com essa história pra contar… Um caminho novo a trilhar.

Ouvindo isso talvez nenhuma droga você queira experimentar…

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